15 setembro, 2010

Afinal onde está o progresso???

Poema de João Villaret, escrito no final da década de 50!!


Esta Vida É Um Corridinho


A vida é um corridinho,
Corre, corre, sem parar,
Desde que um homem vem ao mundo
Té que vai a enterrar.
Nasce a gente e de repente,
Corre este risco sem par,
De morrer logo à nascença
Ou de ter que cá ficar.

Corre, corre, corridinho,
Corre, a vida sem parar.

Em miúdo corre e chora
Prá mãe lhe dar de mamar
Depois pula, rasga e estraga,
Pelos jardins a brincar.
Corre depois para a escola,
Corre aos livros pra estudar,
Corre depois na parada,
Quando vai pra militar.

Corre, corre, corridinho,
Corre, a vida sem parar.

Corre o tempo e volta à terra,
Com ideias de casar.
Corre logo ao bailarico,
Corre à procura dum par.
Correm banhos na igreja.
Corre a noiva no lugar,
Té que um dia mais la noiva,
Correm ambos pró altar.


Corre, corre, corridinho,
Corre, a vida sem parar.


Correm dias bem felizes,
Correm horas de bem-estar,
Pois num berço pequenino,
Está um bebé a chorar.
Mas passados anos correm
dez pimpolhos no seu lar
Corre-lhe o suor em bica,
Pra família sustentar.


Corre, corre, corridinho.
Corre, a vida sem parar.


Corre aqui, pede acolá,
Corre ao prego pra pagar
ao padeiro, ao merceeiro,
pra vestir e pra calçar.
Corre um mês e outro mês,
E ele, aflito, pra arranjar,
com que pague a casa, a luz
e ao doutor que o vai tratar.


Corre, corre, corridinho,
Corre, a vida sem parar.


Já cansado de correr,
Certo dia, ao levantar,
Corre-lhe um frio plo espinhaço,
Corre à cama e dá-lhe um ar.
Corre o pranto na família,
Corre a gentinha a espreitar.
A correr vem um anjinho
que logo o leva plo ar.


Corridinho, corridinho,
Lá vai ele a aboar.
Corridinho, corridinho,
Lá vai ele a aboar.


Corridinho chega ao céu,
Bate à porta pra entrar,
Corre S. Pedro a abrir,
Pró caminho lhe indicar.
—Corre já pra'quela nuvem
Que é ali o teu lugar,
Pois no fim desta corrida
tens direito a descansar.

Corridinho, corridinho,
Lá vai ele a aboar.
Corridinho, corridinho,
Lá vai ele a aboar.



Tirando a parte da tropa (que já não é obrigatória), alguém vê diferenças entre a luta da sociedade de sessenta anos atrás e a nossa?
Em que evoluimos económicamente? Nada!
E diz o governo que somos um país de primeiro mundo e um exemplo para a Europa!!!

A nossa sorte é que S. Pedro e o céu são para todos!!
Espero eu!

13 setembro, 2010

A volta do correio

Amigo Janelas,

É o fim do Verão e só agora chegou a tua carta... Raios partam o correio. Sei que o campo de golfe já está seco. Seria uma pena não lhe darem uso. Falei com o Tone e disse-me que fazem lá festas à noite e que costuma ir um artista famoso. Vi no YOUTUBE. O rapaz leva jeito. Espectáculo.
Também me disse que as lombas estão ainda mais bonitas. Deitam luzes no chão e mandam flashadas nos olhos. Espectáculo. Contou-me que o Bar Duro não tem bandas porque já não bomba e que o cinema está a cair. Caralho, onde é a malta pode ver cultura em Bustos agora? E não me digas que é no Horóscopo Caffe porque não acredito. Só se for a cultura futebolística do Bino Rosas, que é muita! E o S. Lourenço como correu? Ano passado o Bispo de Timor... Este ano quem veio? O Papa? Espectáculo! E os jogos sem fronteiras? Quem ganhou? Mandei dez euros ao Tone pra apostar na Mamarrosa por mim. Eles ganham sempre. Dinheiro fácil. Espectáculo.
Diz à Amélia Alicate que estimo que se foda e que nunca lhe perdoarei. O Frolhas virou músico e diz que é fã de Blues! O neto do barbeiro também... Espectáculo. Mando o prato que pediste (é do Obama, não encontrei do Sócrates) e vai também um kilo de laranjas. O Bernardo acabou o curso e está de férias e o Dj Indie anda a procura de emprego. O Igor Coura lá ficou na que ia quase à falência que é agora do estado e o o Rei de Bustos continua na dos paineis embora lhe devam dinheiro. Pronto, já não tenho mais notícias daqui. Apenas dizer que tenho saudades de Bustos, porque tal como tu dizes, lá no fundo, realmente, não há nada como aquela luz azul na loja de variedades por baixo do Horóscopo Caffe.

PS- quer dizer Partido Siocialista.



Um grande abraço, Valério Gueso.