07 dezembro, 2011

Alfredo e os prisioneiros

Alfredo corria em desespero na sua roda de plástico como se não houvesse amanhã, sem saber que mesmo continuando a correr, a lado algum chegaria. Talvez corresse apenas para se libertar da raiva que sentia em estar preso, ou, seria mesmo com o objectivo de tentar alcançar o que não lhe estava ao alcance? De fora, olhava para o Alfredo e ria, ria da forma como corria, comia, e andava à nora entre quatro divisões que o limitam a um pequeno espaço no mundo. Será que ele gosta? Será que ele acha piada ao facto de, ao olhar para ele, eu me fartar de rir com tal cómico espectáculo de libertação de adrenalina? Ou será que apenas é frustrante? Bem, pelo que parece, estar preso não deve ser frustrante. Sempre que resolvo olhar um pouco para o que passa nos nossos canais nacionais, aparecem uma série de pessoas (se é que se pode chamar aquilo de pessoas), que correm infinitamente contra o tempo e num pequeno espaço, correm se for preciso mais que o Alfredo na sua roda de plástico, mas terá o Alfredo um objectivo? É que não vejo um objectivo lógico neste novo jogo da TV Portuguesa onde se guardam segredos, e se permanece dentro de 4 paredes com pessoas que só nos querem mal. Olho para eles na TV como olho para o Alfredo, ali, ora quieto, ora em hiperactividade. Não percebo o que vai na cabeça destas pessoas para se sujeitarem a estarem encurraladas durante 'x' tempo para ganhar fama, dinheiro e nome... (riso) Nome? Durante quê? 1 ano... E depois? Depois, continuam a corrida, agora fora daquele paraíso onde se encurralaram, onde mesmo correndo nunca vão conseguir olhar de fora e rir como rimos deles lá na 'jaula', e, enquanto isso, tal como nunca vou perceber o que vai na cabeça dessas pessoas e das que se riem de assistir a tal desgraça que é ver pessoas fechadas em contínua intriga, vou continuar sempre que possa a olhar de fora para Alfredo 'O hamster', na sua rotina, e tentar perceber porque tanto corre ele... Se não tem onde chegar. (Tal como 'os prisioneiros')

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